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terça-feira, 17 de setembro de 2013

O que te incomoda ??

 
"Raros são aqueles que decidem após madura reflexão; os outros andam ao sabor das ondas e longe de se conduzirem deixam-se levar pelos primeiros."
Sêneca



Hoje fui ao salão de beleza “Francis e Margarida”, aonde corto o cabelo há quase 22 anos e que em razão desse longo tempo de convivência vem me "arrumando" para momentos felizes como:  meu casamento, formatura, festas e também em momentos não tão felizes como quando Francis foi até a UTI cortar meu  cabelo..

É uma relação de quase casamento!!

Assim hoje, no período vespertino, eu e minha mãe atravessamos a Cuiabá em obras e no trajeto lhe disse que estava em dúvida acerca do corte de cabelo que deveria fazer pois as opiniões familiares foram diferentes.

Ela emitiu sua opinião e depois me disse calmamente: “Não adianta, só você sabe a resposta.”


Na hora discordei, todavia continuamos papeando até o Salão de Beleza.

Logo que cheguei apresentei a Francis todas as dúvidas, dizendo que não sabia se queria o cabelo curto, colorido, grisalho, cumprido, enfim dúvidas pairavam sobre a minha cabeça.

Francis apontou várias possibilidades e nenhuma parecia me satisfazer, então ela simplesmente indagou: “O que te incomoda?”  

A pergunta ficou no ar, pairando ...

Podia senti-la, tocando meu consciente.

“O QUE ME INCOMODA?”

Algo dentro de mim começou a se formatar, contudo naquele momento eu deveria primeiro responder a indagação de Francis quanto ao corte de cabelo.Percebi que nada me incomodava. A decisão estava tomada. Eu estava satisfeita com o corte e a cor do cabelo, desejava apenas aparar um pouquinho para não perder o estilo do corte.

Todavia, naquele momento ouvi um "click mental"  e a frase de minha mãe dita no carro "que a resposta só eu saberia" somada a pergunta da Francis sobre “ O QUE ME INCOMODA” já haviam se imiscuído dentro de mim e comecei a utiliza-las para tentar responder outras indagações pertinentes a minha vida.

Ao observar minha figura no espelho, vendo o frenético movimento da tesoura na mão de Francis, alinhei as implicações, opções e escolhas que devo fazer junto a algumas perguntas acerca "do que me incomoda" e a resposta veio simples.

As coisas começaram a fazer sentido.

Na verdade, a indagação da Francis sobre o que me incomodava foi analogicamente falando, apenas o estímulo nervoso necessário para instigar tal qual a rede de nervos e suas conexões (Hoje estudei Ciência com Túlio, estou afiadíssima em Sistema Nervoso Central e Sistema Nervoso Periférico...) às informações que estavam rodando em volta da minha consciência e que venho “trabalhando” com elas há algum tempo.

Acredito que a arte de decidir não está adstrita a uma só razão, ao contrário ela perpassa por uma série de fatores que alinhados nos delimitam um caminho.   

Talvez hoje tenha sido o fim de um ciclo cansativo, estressante ou o início do fim dessa dúvida especifica.

Um norte ou prumo mais consistente parece surgir.

Sei que como muitos permito que, por vezes, as convenções, os padrões, os medos, as emoções (dor e o sofrimento) norteiem minhas decisões, entretanto busco igualmente orientar minhas decisões obtendo o máximo de informações sobre minhas dúvidas, avalio os possíveis desdobramentos, reflito, uso a intuição ...

O modelo e a fórmula cada qual tem o sua, contudo o que é  essencial é estar atento aos sinais de “iluminação”, aquele click mental, quando enfim conseguimos ouvir nossa voz interna diante de um burburinho de emoções.

E isso independe de lugar, horário, posição ou atividade.
Pode vir como hoje, no salão de beleza.
Ah, descobri que lavar vasilhas e dirigir na estrada favorece a autoanalise e serve de excelente terapia, pelo menos para mim.
 

 

sábado, 14 de setembro de 2013

Amizade ...

 


“A amizade é um amor que nunca morre”

 

Já escrevi sobre a importância da amizade em post anterior (Julho de 2012), contudo desejo dividir a alegria do momento.
 

Lá na Grécia Antiga, Aristóteles já definia que podemos “classificar” a amizade em três tipos distintos:


A amizade segundo o prazer que se  fundamenta por causa daquilo que é agradável em um para o outro. Pessoas espirituosas, por exemplo tem muitas amizades não por causa do seu caráter, mas sim devido ao prazer que podem proporcionar umas as outras.

 

Amizade segundo a utilidade é estabelecida pelo bem que uma pessoa pode receber da outra. Mais uma vez, as pessoas envolvidas neste tipo de relação não se amam por causa do seu caráter, mas sim devido a uma utilidade recíproca.

 

 amizade segundo a virtude, ou a amizade perfeita é aquela estabelecida entre pessoas que são bons e semelhantes na virtude, pois tais pessoas desejam o bem um ao outro de modo idêntico e são bons em si mesmos.

 


Daqui alguns dias irei rever amigos especiais, daqueles que a gente não se fala semanalmente e nem se vê anualmente, todavia o amor e carinho que nutre nossa amizade não se desfez a despeito do tempo e da distância e vem sendo  regado e cultivado há 28 anos.

 

Amo esses meus amigos, sem o exagero do significado da palavra. E essa amizade permeia entre pessoas de gerações diferentes ( de 73 anos a 10 anos) e de ambos os sexos.

 

A oportunidade de revê-los me enche com um ingrediente que torna a vida mais leve que é a felicidade simples, não material, não visível, mas sentida dentro do peito e da alma.

 

É um brando refrescar depois de tantas batalhas!!

 

Confesso que por um tempo o medo me dominou, pois cheguei a pensar que nunca mais os veria, principalmente porque nesse meio tempo um deles partiu “para o outro lado da vida”.

 

Quando os conheci tinha 17 anos, a estrutura do meu  caráter e valores já estava bem formada, contudo faltava aquele “sobrevoar para longe do ninho” afim de adquirir experiências e conhecimento acerca da vida em si, sem a proteção familiar.

 

Vive experiências incríveis com eles e amadureci em 01 ano, saindo da adolescência para a vida adulta com todas as suas implicações.

 

Aprendi a me conhecer e a acreditar no meu potencial, vencendo a timidez, mas essencialmente aprendi que mesmo longe dos laços sanguíneos podemos obter amor sincero.

 
Tenho aprendido que depois de algum tempo as verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo com longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.
 

E eu os tenho.
 
 
A vocês: Hans (in memorium), Bety, Erica, Terry, Gladys, Tracy, Tammi, Andrea,  Fausto, Talos, Ayla, Karsten, Trent, Brian e Rachel todo meu amor.
 
E a todos os amigos travestidos de roupagens sanguineas  ou não  e  que a vida, a distância ou as circunstâncias nos afastaram do convívio diário, dedico a poesia do grande poeta e pensador libanês Kalil Gibran Kalil:



 
AMIZADE
 
"E um jovem disse: Fala-nos da Amizade.

E ele respondeu, dizendo:

O vosso amigo é a resposta às vossas necessidades.

Ele é o campo que cultivais com amor e colheis com gratidão.

E é o vosso apoio e o vosso abrigo.

Pois ides até ele com fome e procurai-o para terdes paz

Quando o vosso amigo fala livremente, vós não receais o “não”, nem retendes o “não”,

E quando ele está calado o vosso coração não deixa de ouvir o coração dele, pois a amizade, todos os pensamentos, todos os desejos, todas as esperanças nascem e são partilhadas sem palavras, com alegria.

Quando vos separais de um amigo não fiqueis em dor, pois aquilo que mais amais nele tornar-se–à mais claro com a sua ausência, tal como a montanha, para quem a escala é mais nítida vista da planície.  

E não deixeis que haja outro propósito na amizade que não o aprofundamento do espírito.

Pois o amor que só procura a revelação do seu próprio mistério não é amor, mas uma rede lançada que só apanha o que não é essencial

E deixai que o que de melhor há em vós seja para o vosso amigo.

Já que ele tem de conhecer o refluxo da maré, que conheça também o seu fluxo.

Pois para que serve o vosso amigo se só o procurais para matar o tempo?

Procurai-o também pra viver.

Pois ele vos preencherá os desejos, mas não o vazio.

E na doçura da amizade que haja alegria e a partilha de prazeres.
 

Pois é nas pequenas coisas que o coração encontra a frescura da sua manhã.
 

 



 

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Mal necessário?!?!




 
 
 
" Os homens são feitos uns para os outros: instrua-os ou então suporta-os" Marco Aurélio - Roma Antiga 
 
 
 

Um dos efeitos colaterais da quimioterapia tem me restringido a escrita dos posts. Chama-se neuropatia periférica. Os nervos periféricos foram atingidos pela quimio e causam formigamento intenso nas mãos e pés. É como se eu estivesse com câimbras 24 h por dia. Assim, quando escrevo ou digito, sinto “agulhadas” nas pontas dos dedos. De acordo com o médico essa sensação irá passar com o decurso do tempo. 
 

Confesso que atualmente sinto falta “emocional” por não estar escrevendo semanalmente, parece que tem algo que está faltando!!!

 
 
Vou devagar, mas sigo em frente !!!
 
 Seguindo a linha de pensamento do post anterior, acerca do “tempo que nos foge”, resolvi falar sobre um assunto que vem me causando reflexões diárias, pois o constato em casa, shoppings, igrejas, festas de aniversários, restaurantes ... Que é uso dos smartphones e os danos que vem causando nas relações interpessoais.
 
 

Li vários artigos sobre o assunto na net e tenho mantido diálogo a respeito com meus familiares e amigos e todos são unanimes em se manifestar que já se sentiram “constrangidos” ou  “ignorados” ainda que momentaneamente por alguém que manteve diálogo via smartphone quando na presença deles.
 

Estudiosos do assunto falam em Transtorno de Deficit de Atenção pelo uso continuo do celular.
 

Especialistas advertem que os sucessivos sons e atualizações podem jogar o cérebro para um estado de exaustão, afetando as células e enfraquecendo as funções cerebrais ao longo do tempo.
 

Me lembro que antes do advento do celular eu conseguia memorizar pelo menos 15 número dos telefones das pessoas mais próximas a mim  ou datas de aniversários, hoje fico aguardando a “memória” do smartphone me lembrar!!!

 
Ficamos com preguiça de pensar e nos apegamos ao Google para além do necessário e plausível.

 

Um professor de comunicação  da Universidade de Standford avalia que as funções de multitarefas disponíveis (responder sms, pesquisas, atender a chamada, dar o curti no Facebook) e praticamente tudo ao mesmo tempo afeta a concentração.  “Não é fisiologicamente saudável porque o ser humano não foi construído para realizar uma infinidade de tarefas ao mesmo tempo. Se o smartphone exige esse comportamento, aumenta o estresse e prejudica o pensamento cognitivo.

 
É realmente assustador observar como as pessoas estão dependentes e conectadas nos smartphones e eu me incluo nesse parâmetro... todavia tento me policiar diariamente e confesso não é fácil sair sem o celular a tiracolo.
 
 
Este post não se trata de um manifesto contra o uso dos Smartphones, até porque os benefícios e facilidades que o mesmo providencia a nós seres humanos é bastante proveitoso e útil, contudo o seu uso abusivo vem nos deixando insensíveis ao ambiente externo.

 
Quem já não ouviu as frases: “ Só tô dando uma olhadinha no Face”, “ Pera aí, tô postando uma foto no Insta” ou “ tô respondendo um “Whatts”, quando está mantendo uma conversação com alguém.

 
 
Eu acho constrangedor, principalmente quando a pessoa não responde as mensagens e ficam aqueles “barulhinhos” de torpedos caindo interrompendo a concentraçãona conversa.

Será que estou ultrapassada?
 

Já vi situações em mesas de restaurantes onde quase todos os ocupantes estão olhando para seus smartphones...
 

Daí, me pego pensando, será pelo vício, talvez falta de assunto ou porque a vida on line tem se tornado mais atraente que a vida real.
 

Crianças já nascem com smartphones disponíveis e existem pais que os utilizam como “chupetas eletrônicas” e “babás a tiracolo”, visto que os aparelhos mantêm as crianças caladas e “facilitam” a vida dos pais.

 
Preocupo-me SIM com o impacto e os reflexos do uso excessivo dos smartphones no futuro dos nossos filhos e netos? Que modelo de pessoas estamos criando?

 
Não temos como voltar atrás, a tecnologia está aí (ainda bem) facilitando a nossa vida e a comunicação com amigos e conhecidos através das redes sociais, contudo a decisão da forma e tempo em usa-la é NOSSA, bem como a responsabilidade de EDUCARMOS nossos filhos e netos para aplicar na dose certa e de maneira equilibrada o uso dessas ferramentas modernas, aproveitando as facilidades da tecnologia e valorizando um bom bate-papo “olho a olho” com amigos.

Como Marco Aurélio disse na Roma Antiga cabe-nos instruir ou suportar os demais seres humanos ...

 
Aqui vai uma dica que recebi de uma tia, assistam no "you tube" o vídeo "I forgot my phone", é muito interessante e representa exatamente o que estamos falando que é o uso descontrolado dos smartphones gerando a perda continua da interação entre pessoas.
 

 

 

  

 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

"Fugit irreparabile tempus .." - Foge o irreparável tempo - autor Virgilio



 

 “Alice: Quanto tempo dura o eterno?
Coelho: Às vezes apenas um segundo.
(Obra: Alice no País das Maravilhas)
 

 

A mídia regional deste final de semana informava do acidente  sofrido por um político. Li a notícia com pesar, contudo no decorrer da narrativa percebi que a despeito do carro ter capotado e ferido duas pessoas que acompanhavam o referido politico, a reportagem avisava que o político “confirmava agenda para o dia seguinte em outra cidade distante”.

 

Alguém pode pensar “ Uau, como o “fulano de tal” é empenhado na causa que professa. Depois de tudo que passou no acidente ainda irá cumprir no dia seguinte com compromisso agendado em outra cidade!

 

Longe de mim, questionar a agenda do político ou de qualquer cidadão brasileiro. Na verdade eu nem sei se ele de fato seguiu viagem imediata, contudo foi o que li veiculado na mídia.
 
Aqui estou a refletir acerca da “correria do dia a dia” e o que leva as pessoas a agirem dessa maneira, sobrepondo tragédias pessoais a compromissos assumidos.

Cadê o botão de parar?

Um break nesse agenda intensa e que nos impede de refletir acerca de situações que nos acomete física e mentalmente?

 

O mundo está veloz, vivemos com pressa, atrasados, agenda lotada.


A informática vem transformando o mundo e nossos hábitos rotineiros, basta caminharmos pelos shoppings, restaurantes, aeroportos e até a igreja, que deparamos com pessoas acessando a internet, facebook, whatsapp.


Estamos em dois, três lugares ao mesmo tempo, lidando com diferentes assuntos e pessoas. 

 
E nesse corre-corre, questiono: quem é o criador e quem é a criatura?
 

Vivemos como a passagem do livro "Alice no País das Maravilhas" abaixo transcrita:
 
" Eu ... Eu ... nem eu mesmo sei nesse momento ... eu ... enfim, sei quem eu era quando me levantei hoje de manhã, mas acho que já me transformei várias vezes desde então ..."
Passagem do livro Alice no País das Maravilhas:
 

Deixamos de apreciar o “agora” “hoje”, pois estamos sempre buscando ”algo” nessa "correria" que muitas vezes desconhecemos o que  é.


 Saímos em disparada cega atrás de “algo” que possa nos satisfazer.


Uns acreditam que o “algo” a apaziguar a “quentura da alma” seja a aquisição de bens materiais e aí vemos que existem pessoas que nem bem compram uma casa e já estão desejando uma casa maior, saem da concessionária com carro novo e logo já estão olhando outro carro mais moderno. Não conseguem apreciar o conquistado. Outros buscam o poder, a glória da bajulação, o status de  interferir na vida de outros 


Dessa maneira a insatisfação permeia o espírito e o vazio “preenche” a alma.



Um conto para refletir:

O filósofo Sócrates, que provocou uma verdadeira revolução no pensamento humano (e por causa disto acabou condenado à morte), era sempre visto passeando pelo mercado principal da cidade.

Certo dia, um dos seus discípulos perguntou:

“Mestre, aprendemos com o senhor que todo sábio leva uma vida simples. O senhor não tem nem mesmo um par de sapatos”.

“Correto”, respondeu Sócrates.

O discípulo continuou: “entretanto, todos os dias o vemos no mercado principal, admirando as mercadorias. Será que podíamos juntar dinheiro para que possa comprar algo?”

“Tenho tudo que desejo”, respondeu Sócrates. “Mas adoro ir ao mercado, para descobrir que continuo completamente feliz sem aquele amontoado de coisas!”

 

O que procuramos está dentro de nós!!!

 

O cantor Gustavo Lima desabafou a alguns meses atrás dizendo que não iria mais cantar. Foi uma agitação no show business, rolou críticas e piadas de mau gosto. Mais tarde ele se justificou dizendo que estava cansado da maratona de shows imposta pelo empresário, visto que estava “perdendo” o prazer de cantar e o contato com sua família.

 

Alguns disseram que foi o falecimento recente da irmã que o afetou emocionalmente. Não importa qual, onde e quando foi ligado o botão BREAK, o que  implica é que ele conseguiu enxergar a situação vivida antes de cair em colapso físico. 

 

Indago: Quanto tempo dedicamos a nós mesmos? Quando foi a última vez que fizemos algo para nossa própria satisfação? Quando foi que sentamos a mesa com nossos familiares e curtimos o momento com boas risadas e conversa fiada, sem celular ligado e “whatsapp” bombando ? Quando fomos ao cabeleireiro, fizemos massagem ou deitamos para ler um bom livro sem estarmos com pressa ou atrasados.

 

Outro dia, estava assistindo televisão, quando olhei ao redor e vi meus dois filhos e marido conectados na internet (cada qual com o seu equipamento) assistindo a novela também.  Pergunto, qual das atividades estava sendo apreciada ou compreendida INTEGRALMENTE pelos três?

 

Quando vou a restaurantes, observo as pessoas comendo, conversando e digitando no celular, tudo ao mesmo tempo !!! Até na Igreja, durante o sermão espiritual do padre, vi uma mulher lendo o facebook e tirando foto da igreja para inserir na aplicativo.

 

A dificuldade dos tempos atuais é a “cobrança” externa e interna em estar atualizado. Tudo é muito rápido, urgente, instantâneo e descartável. Esquecemos que somos simples seres humanos e que essa forma desregrada, enlouquecida de viver irá num futuro próximo nos atingir com sequelas irreparáveis, como  divórcio, solidão, distanciamento dos filhos, doença ...
 
Acredito que recebemos sinais de que algo irá nos acontecer, apenas não prestamos atenção a esses sinais e quando recebemos o resultado dessas ações o impacto é grande. Percebemos que fomos tolos e usamos de estratégia (caminho) equivocada. (experiência própria).


Contudo, sempre há o TEMPO, que ora nos ajuda ora nos vence. A DECISÃO acerca  do caminho, estilo de vida a viver é de cada um.



Encerrando, aqui vai outra passagem tirada do livro da Alice no País das Maravilhas:
 

“Aonde fica a saída? Perguntou Alice ao gato que ria.

- Depende. Respondeu o gato.

 -De quê? Replicou Alice

- Depende para onde você quer ir.”

 

Carlos Drummond de Andrade e o coelhinho da Alice no País das Maravilhas concordam que “ Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica e nenhuma força jamais o resgata."

 
 Façamos que esse “segundo"  "eterno do viver” valha a pena e que o caminho escolhido seja o almejado”.

 
 
 
 

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

"Quem tem um "porque" enfrenta qualquer "como." Viktor Frankl







 




“Pode-se tirar tudo de um homem, exceto uma coisa: a última das liberdades humanas – escolher a própria atitude em qualquer circunstâncias, escolher o próprio caminho.” Viktor Frankl

 

Feliz ... Muito Feliz !!!

A Providência Divina facilitou a medicina outra nova chance para que eu possa continuar aqui.

A quimioterapia adjuvante esta ajudando a controlar a neoplasia.

Os exames de imagem que fiz há duas semanas demonstram que nada anormal foi visualizado no organismo.

 É uma alivio tão grande que é difícil expressar em palavras.

Tudo fica mais leve ...

É claro que o medo sempre acompanha e é esse medo “companheiro” que me faz ficar mais alerta e atenta às minhas necessidades e saúde.

Passada a euforia, a vida continua.

 E agora ?

Venho a alguns meses “matutando” com meus neurônios e sentidos buscando um “entendimento” mútuo entre a razão e a emoção acerca da perspectiva de vida que desejo ter AGORA.

Discorri  há uns três posts atrás sobre querer dar um rolé de 180º na minha vida e é nessa busca que me encontro.

A pergunta que faço a mim mesmo é  “ O que me motiva?”

 Motivar vem do latim movere, ou seja mover.   Que  é um impulso interno que leva a ação. Motivação é agir em prol de uma determinada razão ou demanda que nos faz sair de onde estamos e responder a esta necessidade.

Assim busco encontrar em mim novos talentos, antigos talentos adormecidos ou não percebidos anteriormente pela correria da vida.

As minhas necessidades básicas estão supridas. E como diz a música dos Titãs “ A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte...” E muito mais com certeza. (envolvimento, conhecimento...).

A morte é um incentivo para vivermos com responsabilidade, pois a imortalidade nos faria adiar as coisas, não haveria urgência como  já dizia o psiquiatra  austríaco Viktor Frankl.

Em Julho li o livro “ O Diário de Helga” que é o relato de uma menina sobre a vida em um campo de concentração – 1938 a 1945, onde ela sobreviveu ao Holocausto.

O que me tocou nessa história real foi a persistência da narradora que, a despeito das adversidades e crueldades recebidas por ela DECIDIU sobreviver.

Temos conhecimento em nosso dia a dia, seja  através da mídia ou noticiários de relatos de pessoas que passaram por situações extremas, onde o limite de tolerância humana  é testado ao máximo e mesmo assim a pessoa consegue permanecer viva.

O que os motiva a não esmorecer, a continuar a lutar pela sobrevivência ?  Seria reencontrar os familiares, cumprir uma missão, rever a pessoa amada, tudo isso e algo mais?

Penso que o ponto de partida, o botão interno que deve ser acionado quando o sofrimento, a dor e o medo tomam conta do nosso ser é o botão da DECISÃO.

Tenho aprendido isso ao longo do tratamento que faço. Decido lutar ou me entregar, ser feliz ou depressiva ...

Hilel, líder cabalista que viveu no período de Herodes há mais de 2000 anos atrás questionava “Se eu não fizer, quem o fará? Se não fizer agora, quando farei? Se sou somente por mim, quem sou eu?”

Resumindo em palavras ou expressão ultra moderna #vamoquevamo#. Ilude-se quem acredita que viemos para cá só para férias, gozo e prazer. Ledo engano. Temos missão a cumprir, seja ela doméstica ou profissional. 
 
Ainda em minhas leituras descobri acercar da terapia criada pelo médico psiquiatra austríaco Viktor Frankl, que sofreu em um campo de concentração, perdendo a esposa, pais e irmãos.
 
Em que pese a dor e os momentos sofridos por ele, quando foi libertado ao final da 2º Guerra Mundial, conseguiu transpor as perdas e usou das experiências e fatos vivenciados durante a permanência no Campo de Concentração para criar a LOGOTERAPIA. Essa terapia entende que podemos nos erguer das dificuldades, das enfermidades, do vício, da tristeza, do vazio e dos golpes do destino se enxergamos o sentido em nossa existência. A força propulsora e motivacional da vida é descobrir esse sentido e preenche-lo significativamente.   

Cabe-nos escolher entre superar a perda e nos tornar o que queremos ser apesar das circunstâncias ou desistir e nos entregar ao desespero infrutífero e estéril.

Como exemplo cito os atletas paraolímpicos que conseguem transformar situações adversas em triunfo pessoal e exemplo para outros ou a história de um jovem americano de 17 anos que ficou tetraplégico e após acidente disse: “Eu quebrei o pescoço, mas ele não me quebrou.”

É lógico que nem sempre somos livres de escolha e para isso Viktor Frankl disse: “ Quando a circunstância é boa, devemos desfruta-la, quando não é favorável devemos transforma-la e quando não podemos transforma-la devemos transformar a nós mesmos.”

Neste exato momento, enquanto escrevo este post, estou buscando transformar a mim mesmo !!!

 

domingo, 28 de julho de 2013

A mala sem alça e o zíper estragado ...




A vida nos presenteia com experiências que podem nos levar ora a aprender com elas ora a repeti-las posteriormente...

Desejando oferecer a meus filhos, marido e a mim mesmo uma atmosfera diferente de doenças, tratamento, quimioterapia ... Resolvemos viajar.

O medo era grande pois eu ainda não estava restabelecida da ultima quimio, os efeitos ainda se faziam presentes, contudo permanecer aqui era mais danoso para meu emocional.

Assim passamos 10 dias fora.

É lógico que obedecendo as outras necessidades e visando o menor desgaste físico possível.

Valeu a pena, nos divertimos muito, relaxamos dos problemas e cheguei  "
 a capa da gaita" pelo esforço realizado, contudo extremamente aliviada da carga da "mala sem alça" do cancer.

Desfeitas as malas de viagem, corri para colocar a casa em ordem e quando vi já era quarta feira.

Tomei coragem e agendei os exames de rotina para checagem do estadiamento da doença. 

Sofri um pouco, pois o medo sempre nos faz companhia nesses momentos, xinguei a "mala sem alça" do cancer que eu havia me esquecido de como era trabalhoso e pesado de carregar.


Até que descobri que outras coisas podem acontecer a uma mala além de perder a alça. O ziper  pode estourar, as rodinhas se  quebrarem ou sofrer qualquer outro dano em sua estrutura tornando a nossa vida mais " difícil".

Dessa forma, na quarta feira comecei após o almoço a sentir um dor terrível nas costas e fui parar no Pronto Atendimento.

Medo, choro, raiva e dor ...
 
Insuportável! Só morfina me sossegou!!! E veja que eu me achava uma expert em "dores".

O diagnóstico - pedra nos rins, na verdade já haviam se deslocado do rim e estavam localizadas no ureter esquerdo, mas não haviam saído ainda.

Retornei para casa sedada e com medo terrível do retorno da dor.

E ela voltou - Não com a mesma intensidade e agora já controlável com remédios, todavia dor é dor.

O médico sugeriu que esperasse um pouco para ver se as pedras não sairiam naturalmente.

Esperei dois dias e já no sábado me dirigi para o hospital pela manhã para fazer a Tomografia do Abdômen e retirar as pedras numa pequena cirurgia.

SURPRESA!!!!

As pedrinhas haviam saído espontaneamente (após muita reza!!)

Ficamos todos felizes!!!

Ufa ...

Hoje acordei com uma sensação de leveza, levantei-me e tomando o café da manhã, desvendei o mistério da leveza na alma e no corpo.

Entendi que eu ainda carrego a " mala sem alça" de estar em tratamento do  cancer, mas agora o zíper estourado (pedras nos rins) haviam sido consertados ...

Moral da estória
Alternativa:

A) Mais vale uma doença antiga do que uma nova?

B) Não reclame que algo pode piorar?

C) Ande sempre com a ferramenta ou mala sobressalente ?

D) todas as respostas anteriores

Aprendi minha lição do dia e carrego a minha mala sem alça sem muito reclamar ... Só de vez em quando reclamo para não me acomodar.
 
Ah, lembrando que as vezes na vida, carregamos malas com rodinhas perfeitas, outras vezes carregamos malas vistosas e de alças reforçadas, outras vezes carregam nossas malas e outras vezes nos vemos diante da mala sem alça ou rodinha e de zíper estragado ...
 
A solução, satisfação e desempenho depende de nossa própria maneira de ver o mundo - otimista ou pessimista!! 


segunda-feira, 8 de julho de 2013

Viajar é preciso ...








 



A verdadeira arte de viajar...
A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!
Mario Quintana




A poesia de Mário Quintana espelha fielmente o sentimento que me acompanha quando viajo.

Liberdade !!!

Me lanço ao mundo ...

O que me importa nesses momentos é a diversidade, a diferença de costumes e maneira diversa da minha em encarar a vida.

Não fico pensando na comidinha de casa ou no colchão macio que deixei, procuro viver o momento, sentir as pessoas, compreender o mundo. 

Adoro sentar no banco de uma praça, bar ou na areia do praia e observar as pessoas ao meu redor.

É tão expressivo esses momentos, que muitos colam na memória e quando penso no lugar, consigo sentir a magia do momento.

É o oposto me atrai, me faz crescer e compreender que o mundo não é a comodidade do meu dia a dia mas a diversidade da forma de viver.

Sei que no fim, seja aqui ou na Etiópia queremos a mesma coisa, ser feliz, viver em paz, estar com nossa família, todavia cada qual o faz da sua maneira e é essa beleza da arte de viver. 

A simplicidade das coisas me acalma e me embala num vai e vem de serenidade, sendo que isso me conforta e me faz sentir forte e segura.


É  lógico que rola stress natural: bagagens, aeroporto, crianças, desejos, planos "B" e "C", contudo acredito que isso torna a viagem mas qualitativa, pois transpomos esses obstáculos e resolvemos as pequenas dificuldades da viagem. Depois de um tempo, rimos dos micos e mancadas.

São essas as lembranças que carregamos em nossa memória e que nos momentos difíceis socorremos a elas, para nos alegrar e distrair dos problemas maiores.


Assim, informo que tirarei um recesso necessário para o corpo e alma. E estarei junto aos meus três mosqueteiros Antônio, Túlio e Tiago para um grande aventura, em que pese que o corpo ainda apresenta sinais dos efeitos colaterais da quimioterapia tomarei todo cuidado para não me exceder.


O momento é agora ... me sinto livre, sem doença, exames, consultas ...


Os médicos comprovam as benesses de sair da rotina, de viajar e de como isso influencia na boa qualidade de vida, prevenindo do stress e depressão. 


Viverei durante 10 dias um mundo de fantasia, cores, sonhos e aventura.


Que Deus nos proteja para que tudo ocorra conforme o planejado.

Carpe diem!!!