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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Onde seus pés pisam?








Olhar para dentro ... Olhar para dentro ... Olhar para dentro...

Ouço essa frase há décadas e sinto que apenas agora começo a entende-la. 

A localizar esse "dentro" escondido e muitas vezes travestido de falsas virtudes. 

São quase 10 anos desde o primeiro diagnóstico do cancer e diante dessa doença que se prolonga e recidiva, das indas e vindas, cirurgias e quimioterapias, medos e insegurança, altos e baixos, ressentimentos e frustrações, comecei a acreditar que tudo isso não é atuação do “acaso”, mas que a Providência Divina está me fazendo um chamado, me propondo mudança seja  através da doença e da dor ...

Fiz Psicoterapia Transpessoal, faço Curso acerca da Imortalidade da Alma, estou atualmente fazendo Body Talk (criatividade quantica), leio vários livros de autoajuda e faço tratamento espiritual. Ufa, com tudo isso de informação algo tocou meu coração e sem máscaras entendi que necessitava renovar crenças e atitudes.

Ressignificar isso tudo e dar sentido a vida, aprendendo de maneira despojada que o erro me faz crescer ... 

Dedico-me atualmente a reorganizar e a me reeducar mental e emocionalmente, buscando novos e saudáveis pensamentos, modificando assim a qualidade de vida interior.

Esse movimento interior vem sendo cadencial, um embate interno entre o Ego boicotador e o meu Eu, todavia estou decidida a aprender.

A medicina não tem solucionado a doença, visto as várias recidivas que sofri... 

Busco a cura espiriritual para atingir o fisico, até porque não somos só corpo, mas emoções, pensamentos e sentimentos. 

Ocorre que SABER tudo isso não implica necessariamente SENTIR e essa sintonia entre a consciência e o coração tem sido minha ardua porém satisfatória tarefa diária.

Administrar o medo de uma doença mortal redunda em exercícios cotidianos de superação e pensamento positivo.

E o pensamento é o primeiro ato para agir, assim vigio-o com amor e estou atenta as demandas do ego e do Ser. 

Sentir-me como Ser Imortal, entendendo que a vida atual é apenas uma passagem diante da eternidade do tempo de Deus alivia o coração. E essa libertação vem da Fé que nos equilibra e aponta o caminho para que possamos viver de maneira integral na vida atual.

Li que o teologo Leonardo Boff expressou que “cada um lê com os olhes que tem e interpreta a partir de onde os pés pisam.” 

Dessa forma elegi que meus pés pisem em solo fértil de boa vontade em aprender com a vida e olhar com olhos de quem quer ver para além do óbvio.


domingo, 22 de junho de 2014

Hexacampeã !!??!!









 


As metas estão sendo cumpridas, consegui realizar  a reforma no apartamento.
Foram meses para decidirmos se compraríamos um apartamento maior, se mudávamos para condomínio horizontal ou se investíamos no nosso apartamento, com o"peso" da família residir no mesmo edifício, venceu essa ultima alternativa.

Decisão tomada, mãos a obra.
Três meses de reforma, momentos de stress intenso quanto a entrega de materiais, prestadores de serviço... Um exercito  desorganizado e orquestrado para não cumprimento de datas, mas enfim terminou...
Retornamos ao nosso apartamento ... Tudo novo e de acordo com o que havíamos planejado, como toda obra gasta-se mais do que se planeja inicialmente, todavia valeu a pena.

Depois da obra pronta, móveis colocados, chegaram os eletrodomésticos novos (fogão, TV e geladeira). Novo stress, a geladeira veio com defeito de fábrica. Não gelava ...
Passamos duas semanas (enquanto aguardávamos diagnóstico da autorizada Brastemp) entre manter produtos perecíveis numa caixa térmica improvisada e utilizar de geladeiras emprestadas (ora de um vizinho e até da geladeira dos meus pais que fica em Santo Antônio).

 
Imagina a frustração ... Não conseguia aproveitar a conquista do apartamento ...
 
Resolvemos acionar a Loja Ponto Frio e finalmente obtivemos outra geladeira, desta feita funcionando. 
 
Comecei então a aproveitar os ambientes do apartamento, o espaço de leitura, a sala de jantar ...
Fui atrás dos detalhes ... comprar roupa de cama, enfeites, arranjos ...

De repente aquela dorzinha que vinha me perseguindo desde o início do mês de maio aumentou até se tornar insuportável e que redundou em mais uma intervenção cirúrgica em razão de obstrução intestinal.

Biopsia feita ...
Nova recidiva...
Coração apertado ...
Filme que repassa na cabeça ...
Sessões de quimioterapia a vista ...
Efeitos colaterais...
Tudo novamente!!

Calei-me ... tentava entender o "por que" novamente a " paulada" ...
Aperto no peito ... todavia meio "escaldada" logo tomei prumo e me coloquei em posição de combate. Tenho consciência que o câncer pode retornar a qualquer tempo, por isso fico sempre alerta, não dá para esquecer que é metástase.

Diante da complexidade da operação e o tempo da cirurgia (9h) fui para a UTI.
E naquela movimentação típica da UTI, a mente começou a buscar equilíbrio e assim dei "novo" olhar sobre a paisagem e enxerguei a benção de Deus em possibilitar meu retorno... Em ter me colocado nas mãos de uma excelente profissional Dra. Lenuce Ydy e equipe que além da agilidade e perspicácia médica dosa seu atendimento com otimismo e preceitos espirituais na Fé e Motivação e que me fez, com absoluta certeza, agarrar a Esperança de sobreviver novamente. 
 
Viver é o mais importante ... E de "bem' com o mundo melhor ainda...

 Passei 10 dias na UTI, totalmente consciente.
Acredito que deveria ser proibido permanecer em UTI consciente... É muito doloroso e solitário.
Não temos acompanhante e ficamos 23 h conosco mesmo, brota insegurança de que algo fora do nosso controle pode acontecer.

Todavia, cheia do "amor divino"  consegui ativar o módulo "coragem interior" para agüentar firme esse desafio.

Fui atendida por prestimosos  técnicos de enfermagem, que gostaria de citar: Clayton, Cida, Jane, Elaine, Edna, Francisco e outros.
 
Somando a isso, o pensamento positivo, as orações e solidariedade recebida oriunda dos parentes e conhecidos que atenuava a dor e o medo.
Aguardava com sofreguidão a chegada da hora de visita, onde recebia o carinho e apoio familiar.

Na UTI, com aquele marasmo vi que precisava criar uma rotina de atividades para me manter sã: acordar, tomar banho, café da manhã, fisioterapia, assistir Tv, receber visita, almoçar, fisioterapia, assistir Tv, visita, jantar, assistir TV e dormir...
 
Os dias foram passando ...
A saudade do contato com meus filhos era uma ferida aberta.

Dormir era o mais difícil, primeiro pelas vezes que era acordada para realização de exames de rotina como tirar RaioX, colher sangue, tomar remédios .... Depois tinha limpeza e higienizarão do quarto, um barulho infernal no meio da noite.

A minha recuperação foi boa, mesmo depois daqueles dois primeiros dias após a cirurgia, onde tive hemorragia e precisei de sangue e plasma.

Depois de 9 dias tive alta, mas não pude sair da UTI, por falta de quarto no hospital. Tive que permanecer mais três dias lá... "De graça"

Enfim conseguiram um apartamento e sai da UTI,  parei de usar fraldas, dormi numa cama melhor e com a presença ora de Antônio ora de minha mãe...
 
Os dias passaram mais rápido , assisti a estreia do Brasil na Copa e no sábado 13/06 fui para casa.

Finalmente em casa, na presença dos meus filhos e familiares ...
Revejo e analiso todos os momentos, de maneira rápida e em câmera lenta .... E percebo que a vida está mais uma vez ensinando-me a apreciar as pequenas coisas ...
 A simplicidade em despertar
 O brilho do sol no amanhecer e a beleza do por do sol
A certeza de que não somos auto suficientes e que dependemos de outros para vivermos
A importância da fé e oração
O amor familiar
O cuidado com o nosso corpo e a necessidade de mantê-lo "são e pleno"  e em perfeita harmonia
O respeitar nosso limites para cumprirmos com a nossa missão de vida
A otimizar minha energia com aquilo que realmente vale a pena, (tanto stress desnecessário)
 O desejo de viver, contudo entregando a Providência Divina meu destino e caminho ...

É tão bom estar de volta...

 Grata a todos que oraram pela minha recuperação!!
 
E vamos que vamos ...
 
Nesse momento de Copa do Mundo, posso dizer que sou Hexacampeão, pois é a sexta cirurgia no mesmo local bem sucedida, com a benção e graça do Pai Celestial. 



domingo, 16 de março de 2014

Não quero ter razão ..




 

Li essa frase de passagem pelo instagram e imediatamente minha mente foi cutucada,  acomodando-se  lacunas que por hora preencho .

Observei a simplicidade e leveza das palavras ali contidas mescladas com a profundidade do que se pretendia dizer.

Ter razão e ser feliz nem sempre se coadunam.

Momentos existem em que para se ter um abre-se mão do outro.

A sabedoria enquadrada dessa turbulenta e complexa situação está na sensatez de ter a prudência em docemente “ceder”, elevando a alma sem se sentir superior e escolhendo conjugar o verbo SER FELIZ.

Ter sempre razão nos impede de alcançar essa meta. Esclareço que pra mim Ser Feliz é ter paz interior, é aceitar os conflitos com mansidão, buscar entende-los como obstáculos a serem galgados e  me enxergar como espírito imortal.
 
E meus amigos,  confesso que isso é trabalhoso, todavia nos momentos conquistados  o sentimento é leve e suave.

 A ânsia em querer ter sempre razão impede de no calor das “argumentações”  enxergar o outro como alguém que pensa, sente e vive como nós. O EGO algoz e manipulador estorva e bloqueia a amplitude do saber e partilhar experiências.

“A unanimidade é burra” já dizia Nelson Rodrigues.

Por vezes,  o sentimento de gozo e “vitória” conquistada  diante de um ponto de vista exaustivamente debatido  é fantasioso e fugaz, visto serem  agregadas a outros como  a antipatia e humilhação de afetos verdadeiros.

Razão é a capacidade da mente humana que permite chegar a conclusões a partir de suposições e premissas, sendo que opiniões são percepções, sentimentos e construções próprios de cada pessoa.

Dessa forma razão e opinião tem diferente cores, formatos, ângulos e tipos.

Como meta para minha vida me propondo ao exercício pelo amadurecimento emocional concentrando minha energia naquilo que posso mudar em mim com foco no aqui e agora.
 
No livro Psicoterapia a Luz do Evangelho de Jesus, o autor Alirio de Cerqueira Filho dispõe que temos em relação ao tempo três movimentos.
 
O primeiro é Pós-ocupação - centrada no passado, relacionada com a lamentação em relação a aquilo que passou. Lamenta-se, mas  não se corrige.
O segundo movimento é a Preocupação - centrado no futuro, geralmente com atividades que se deve fazer ou com as atitudes que se deve tomar no futuro próximo ou remoto. Oscilando em fantasiar negativamente produzindo assim pessimismo ou cria expectativas maiores que sua possibilidade de realiza-las, gerando um falso otimismo. Ambos causam muita ansiedade.
O terceiro movimento é Ocupação centrada no presente. Gera a resolução de conflitos e problemas. O individuo utiliza toda a sua energia refletindo na melhor maneira de superar os obstáculos que surgem no momento que eles aparecem.  O autor pontua que podemos nos ocupar com o passado refletindo sobre o que nos ocorreu, retirando aprendizado para nortear nossas ações e podemos também nos ocupar com o futuros estabelecendo metas, pois o problemático não é pensar no amanhã, é pensar no mal do amanhã.
 
E é com esse pensamento que parto para mais uma sequência de exames de rotina no controle da doença com o espírito mais tranquilo e aberto pacificamente a minha própria compaixão.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Margens de nós mesmos !!










Há três anos planejo mudar do meu apartamento. Percebo que os meninos estão em plena fase de crescimento, um com 13 e outro com 11 e requerem espaços e ambientes melhor planejados.
 
Faltava-me "coragem" para enfrentar as intempéries de se  construir ou reformar uma casa: financiamento, local apropriado, móveis, pintura, mobiliar, encaixotar, desencaixotar  e colocar tudo no lugar.

Fiquei nesse período, quase como hobby, a ler e analisar as páginas dos Classificados da Gazeta, buscando encontrar nos anúncio "algo" que atendesse as necessidades da família.

Foram momentos de risadas e frustrações, pois quando encontrava imóvel com preço "bom" e tamanho ideal, o estado era antigo e os mais novos possuíam além de preços exorbitantes, espaços internos inferiores

Daí quando a "coragem" chegou até a "prudência", essa a recolocou no "modo" sobreviver e as energias e os esforços vitais foram desviados provisoriamente para "vencer" a doença.

E o tempo continuou a passar e lá se foi 2 anos de tratamento.

Após todo embate, a  energia se restabelece ao corpo e impulsiona a alma a sonhar  e sonhar como uma frase que li
certa vez leva-nos a sobreviver.

Agora os passos se firmam e caminho em "verdes vales" com o horizonte se abrindo novamente.

A vontade de montar um "ambiente" seguro e agradável para todos da família me sucumbi, não mais como desejo efêmero de vaidade e ostentação, mas como refugio repousante dessa vida onde o tempo parece guiar-nos .
Reformular o ambiente doméstico, tendo agora a maturidade ainda que "forçada" me guiando torna leve o espírito.

Família reunida, optamos (nós quatro), após saudável exercício de diálogo e "pensação", a permanecer no apartamento que moramos. Que além de ser bem localizado, possui a facilidade de contarmos como vizinhos a figura de meus pais, irmão, cunhada, sobrinho, tia, prima e avó...
E isso meus amigos, não tem preço.
Mãos a obra ... Contratada a arquiteta, o idealizado começa sair do lugar e a aquela missão parece deslanchar.
Mudamos de apartamento para que a obra aconteça sem tantos traumas e alugamos outro apartamento no mesmo edifício.

Objetos foram encaixotados, alguns reanimados na história da vida, outros continuaram adormecidos nas gavetas. Revi fotos antigas e álbuns amarelados e os livros (capitulo a parte) foram para doação. O desapego em relação aos livros é algo a ser trabalhado.
E no meio daquela confusão típica de mudança, eis que encontro um papel solto dentro de uma pasta de Seminário de Polícia em 2004.
 A escrita era de punho por alguma colega e dizia o seguinte:

" Do rio que tudo arrasta diz-se violento, mas ninguém chama de violenta as margens que o comprimem"
                                                           Bertold Bretch.

Parei e me pus a refletir acerca dessa frase de profundidade tocante. Buscando repensa-la não no sentido de repressão social par qual foi criada, mas no contexto individual. 

Sim! É verdade!!
Reprimimos nossas vontades, ignoramos ou cerceamos sentimentos e  desejos. Damos nova roupagem, com diversa qualidade ou intensidade.
Enfim, nós nos tornamos nossa própria "margem" ... E para piorar, não satisfeitos, queremos ser "margem" na vida de outros!!!

Valha-me ...
Que a margem exista e cumpra o seu papel,  nos guie e oriente, mas nunca nos oprima.
Que a turbulência desse rio mantenha a “margem” atenta, mas não a torne déspota de suas vontades.

sábado, 28 de dezembro de 2013

E se vai 2013 ...


 
 
 
 
 
 


 

 
"Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre."
Carlos Drummond de Andrade
 
 

É com a poesia de Carlos Drummond que retorno ao blog para descrever minha história em 2013 e abrir um novo caderno, agora com a capa de 2014, que cochila e me espera DESDE SEMPRE...





2013 se vai.

Vagarosamente ...

 

Aqui na passarela da vida continuo desfilando o meu passear.

Tantas coisas aconteceram ...

Quanto aprendizado sofrido.

Quantos valores desvelados.

 

A perspectiva no inicio era sombria ...

O cancer havia retornado e em dezembro havia feito a terceira cirurgia do ano 2012.

Mas vida segue ... segue... segue ...
Ainda bem 
Bola pra frente...
E lá vou eu...

 

JANEIRO

Viagem com familiares.
Retorno para enfrentamento da quimioterapia, desta feita 12 sessões.

 

FEVEREIRO

Inicio das aulas dos filhos...
Materiais escolares, uniformes, horários, Kumon, inglês, IPTU...
A rotina se segue
Novas surpresas
Plano de saúde negando tratamento
Justiça deferindo liminar para tratamento

 

MARÇO

Celebrando a vida em família e com amigos.
Alegria tríade - meu niver e de duas primas (Renata e
Flávia) nos Embalos de Sábado a Noite.
Sintonia e Harmonia ...

 

ABRIL

Exames de imagem apontando que o câncer estava sendo controlado.
Quimioterapia fazendo efeito
Esperança voltando no peito...

 

MAIO

Completando 15 anos na profissão
Grande academia da vida

 

JUNHO

Casamento do irmão caçula
Festejos
Fim do ciclo de quimioterapia

 

JULHO

Efeitos da quimio no auge: dores, diarreia, neuropatia periférica ...
Medo da recidiva com o término da quimio
Desafiando o Universo
Enfrentando Orlando
Loucuras de amor pelos filhos
Sanidade retornando
 


AGOSTO

Novos exames atestando controle do cancer
Decisões a serem tomadas
Burburinho interior

 

SETEMBRO

Revendo amigos distantes
Virando a página
Memória afetiva preenchida
Fechando um ciclo.

 

OUTUBRO

Decisão tomada

 

NOVEMBRO

Efeitos da quimio diminuindo.
Vida sorrindo devagar.
Saúde !!!

 

DEZEMBRO

Agradecendo aos momentos vividos
Aos tropeços sofridos
As lições apreendidas.
 
 
Palavra do ano: Resignificação
 
 

Surge no horizonte - 2014
Belo e formoso
Carregando a Fé na Vida e a busca de um amanhã melhor...


Obrigada Pai Celestial
O aprendizado é amargo, contudo o recheio é doce
E nesse tempero de sabores
Caminho agora a passos curtos, todavia se firmando na convicção de que sempre ESTAIS comigo.

Feliz Ano Novo e que seja repleto de realizações ...


E para saborear, deixo a poesia "RECEITA DE ANO NOVO"  Carlos Drummond de Andrade.
 

RECEITA DE ANO NOVO


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
Novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
Novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
 
 


terça-feira, 22 de outubro de 2013

Aproveitando a paisagem !!!



                                           Aproveitando a paisagem ...

 

A vida oferece leques de opções que pairam em minha frente apontando caminhos e estradas conhecidas e outras tantas novas.
O coração palpita sentindo que transformações e renovações serão necessárias, todavia romper com antigas curvas, subidas e saliências dessa estrada tão conhecida me é complexo.
O momento de decisão se despe em minha frente, buscando roupas novas, comportamentos inovadores e compromissos curativos.
No espelho a imagem desponta e me chama, contudo ainda
anseio aproveitar:  
o brilho da paisagem
o som do silêncio
o aroma do tempo
 o tato do momento ...
Decido
Não estou pronta!!!
Quero aproveitar a paisagem ...
Escolho a vestimenta de verão, a janela do sol, o céu e a sua imensidão de azul.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

O que te incomoda ??

 
"Raros são aqueles que decidem após madura reflexão; os outros andam ao sabor das ondas e longe de se conduzirem deixam-se levar pelos primeiros."
Sêneca



Hoje fui ao salão de beleza “Francis e Margarida”, aonde corto o cabelo há quase 22 anos e que em razão desse longo tempo de convivência vem me "arrumando" para momentos felizes como:  meu casamento, formatura, festas e também em momentos não tão felizes como quando Francis foi até a UTI cortar meu  cabelo..

É uma relação de quase casamento!!

Assim hoje, no período vespertino, eu e minha mãe atravessamos a Cuiabá em obras e no trajeto lhe disse que estava em dúvida acerca do corte de cabelo que deveria fazer pois as opiniões familiares foram diferentes.

Ela emitiu sua opinião e depois me disse calmamente: “Não adianta, só você sabe a resposta.”


Na hora discordei, todavia continuamos papeando até o Salão de Beleza.

Logo que cheguei apresentei a Francis todas as dúvidas, dizendo que não sabia se queria o cabelo curto, colorido, grisalho, cumprido, enfim dúvidas pairavam sobre a minha cabeça.

Francis apontou várias possibilidades e nenhuma parecia me satisfazer, então ela simplesmente indagou: “O que te incomoda?”  

A pergunta ficou no ar, pairando ...

Podia senti-la, tocando meu consciente.

“O QUE ME INCOMODA?”

Algo dentro de mim começou a se formatar, contudo naquele momento eu deveria primeiro responder a indagação de Francis quanto ao corte de cabelo.Percebi que nada me incomodava. A decisão estava tomada. Eu estava satisfeita com o corte e a cor do cabelo, desejava apenas aparar um pouquinho para não perder o estilo do corte.

Todavia, naquele momento ouvi um "click mental"  e a frase de minha mãe dita no carro "que a resposta só eu saberia" somada a pergunta da Francis sobre “ O QUE ME INCOMODA” já haviam se imiscuído dentro de mim e comecei a utiliza-las para tentar responder outras indagações pertinentes a minha vida.

Ao observar minha figura no espelho, vendo o frenético movimento da tesoura na mão de Francis, alinhei as implicações, opções e escolhas que devo fazer junto a algumas perguntas acerca "do que me incomoda" e a resposta veio simples.

As coisas começaram a fazer sentido.

Na verdade, a indagação da Francis sobre o que me incomodava foi analogicamente falando, apenas o estímulo nervoso necessário para instigar tal qual a rede de nervos e suas conexões (Hoje estudei Ciência com Túlio, estou afiadíssima em Sistema Nervoso Central e Sistema Nervoso Periférico...) às informações que estavam rodando em volta da minha consciência e que venho “trabalhando” com elas há algum tempo.

Acredito que a arte de decidir não está adstrita a uma só razão, ao contrário ela perpassa por uma série de fatores que alinhados nos delimitam um caminho.   

Talvez hoje tenha sido o fim de um ciclo cansativo, estressante ou o início do fim dessa dúvida especifica.

Um norte ou prumo mais consistente parece surgir.

Sei que como muitos permito que, por vezes, as convenções, os padrões, os medos, as emoções (dor e o sofrimento) norteiem minhas decisões, entretanto busco igualmente orientar minhas decisões obtendo o máximo de informações sobre minhas dúvidas, avalio os possíveis desdobramentos, reflito, uso a intuição ...

O modelo e a fórmula cada qual tem o sua, contudo o que é  essencial é estar atento aos sinais de “iluminação”, aquele click mental, quando enfim conseguimos ouvir nossa voz interna diante de um burburinho de emoções.

E isso independe de lugar, horário, posição ou atividade.
Pode vir como hoje, no salão de beleza.
Ah, descobri que lavar vasilhas e dirigir na estrada favorece a autoanalise e serve de excelente terapia, pelo menos para mim.