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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

"PERSEVERE EM TI !!"




“Ainda que o pranto dure uma noite, a alegria vem pela manhã” (Salmo 30.5).


 
Há duas semanas estava me preparando para um workshop em que o tema a ser "facilitado" era o Pensamento Positivo e em minhas pesquisas na internet, li a seguinte frase: " PERSEVERE  EM  TI", não me lembro o autor da frase, porém ela me tocou profundamente.
 
Nesse sentido, somei a experiência que foi falar sobre esse tema com um grupo de adolescentes e a vontade de escrever sobre o assunto, alinhavei com outras proposições que palpitavam em meu coração e decidi então escrever este post.  

 

Existem ocasiões na vida em que as coisas parecem que saem do nosso controle. (ou o que nós acreditamos que estejam sob nosso controle)

 

São os relacionamentos afetivos rompidos, as tempestades financeiras destruidoras, a perda de alguém insubstituível e daí por diante ...

 

Que atire a primeira pedra quem não passou por alguns desses problemas ou ainda outros de menor ou maior intensidade?

 

Sempre ouvi que a vida é feita de experiências doces e amargas, contudo penso que ambas podem ser utilizadas como forma de suplantar conflitos.

 
 
Dependerá é claro, de nosso arbítrio a escolha de como melhor aproveitar as doces e amargas experiências da vida.

 

Sentimentos negativos de angustia, desespero, medo, dor, injustiça diminuem nossa “força” interior, deixando-nos prostados, desiludidos e sem a nossa principal "arma de combate" que é a "Força do Pensamento Positivo", "Fé" ou "Esperança". (cada pessoa nomina conforme seu entendimento).

 

Posso testemunhar acerca da força do pensamento e em como ele influência nosso bem ou mal-estar, pois já vivenciei ambas as situações.

 

Durante os momentos mais críticos no tratamento contra o câncer, ou seja, entre o  diagnóstico e o último exame realizado (mês passado), oscilei por "trevas" e "paraísos" e afirmo que o pânico e medo precipitam nossas visões escurecendo o horizonte o que leva a ampliar nossa desilusão ...

 

Sentimo-nos só, como num labirinto sem saída ...

 

E isso é desmotivante ...

 

De maneira inversa, quando decidi não esmorecer e enfrentar o tratamento e cirurgia com pensamento positivo, deixando de espernear contra a Providência Divina, mas me entregando (submetendo-me) a Sua Vontade, tudo pareceu mudar ...

 

A “carga” ficou mais leve, a poeira da tempestade baixou e eu consegui vislumbrar no horizonte o sol.

 

Confesso que não é um “solzão” daqueles que torram, do tipo que aquece Cuiabá, mas um “solzinho” acanhado de estilo nórdico, discreto (rsrsrsrsrs)
 
 
Ele (sol) ainda que brando, está cumprindo sua missão. 

 
A frase "Persevere em ti" me toca, quando entendo que a responsabilidade em experimentar essa força interior, o meu pensamento, a luz do meu sol (que pode ter conotação religiosa, espiritual ou não), é somente minha.

 
Posso mediante o amor e carinho de pessoas próximas ser até  motivada, porém a escolha acerca da estratégia dos meus movimentos e decisões diante das dificuldades e caminhos interpostos diante de mim é somente minha e, portanto o primeiro passo e a motivação está em meu interior.

 
Pontuo que é difícil manter esse estado de espírito – full time, ou seja o tempo todo, diante de certos obstáculos a serem transpostos.

 

Assim, oscilo ... caio ... levanto ... mas estou aprendendo a "lustrar" a Perseverança em meu espírito todos os dias .
 
 
 
"PERSEVERO EM MIM !!!!"      

 
 
Contam que Chico Xavier possuía um quadro em cima de sua cama em que estava escrito “Isso também passará ...”. Certa  vez questionado sobre a razão daquele quadro, ele explicou que era para lembra-lo que quando estivesse passando por momentos difíceis poder se lembrar que eles iriam embora. Que iriam passar e que se ele estivesse passando por aquilo era por algum motivo.
Mas a placa também era para lembra-lo que quando estivesse muito feliz não deveria se deixar levar, porque esse momento também iriam passar e momentos difíceis viriam de novo.

 

Podemos com a força do pensamento positivo, aproveitar cada experiência (doces e amargas), apreciando os momentos vividos e não nos esmorecendo diante dos obstáculos, todavia se isso acontecer (somos humanos e falíveis), que consigamos nos aprumar e buscar em nossas entranhas o equilíbrio para seguirmos em frente.
 
 
"PERSEVEREMOS EM NÓS"

 
 
 

 

 



domingo, 23 de setembro de 2012

Unanimidade ...


 
Estava lendo o Facebook outro dia e vi essa imagem postada.

Simples e direto, o desenho mostra que um mesmo objeto observado por ângulos diferentes pode possuir diverso resultado sem contudo estar equivocado em qualquer um desses resultados.
 
Na vida às vezes nos apegamos a certas ideias e posturas que se fecham como verdades absolutas, não admitindo contestação ou ponto de vista diferente.
Nos colocamos na posição de "donos da verdade.
 
A intransigência nas ideias e opiniões cria obstáculos intransponíveis, quando então forçamos para que o nosso entendimento seja o único correto e verdadeiro.
 
Nelson Rodrigues já dizia “Toda unanimidade é burra.”
 
A partir do instante que impedimos que “outras verdades” girem junto a nossa, deixamos de dialogar com as pessoas, coisas e o mundo que nos cerca.

Nos auto isolamos e empobrecemos nosso conhecimento ...
 
Ao contrário, se permitimos o convívio com pessoas de  opiniões diversas das nossas, fomentamos um “leque” de opções e pontos de vistas que poderão coincidir ou defrontar com o nosso, mas que irão possibilitar nosso crescimento pessoal, pelo menos do ponto de vista retórico.
 
Assim, poderemos testar realmente nosso entendimento sobre aquele assunto, usando de argumentação empírica e técnica sobre o fato.
 
Um antigo filosofo, político e escritor francês Voltaire disse a seguinte  frase `"Posso não concordar com o que dizes, mas defenderei até o último momento o direito de dize-las.”
 
Portanto, torcer pro Vasco, ser evangélico, gostar do marrom, comer sushi, acreditar nesse ou naquele partido é apenas um questão de gosto e opção.
 
E cada um tem a sua !!!
 
 
 
 

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A grama do vizinho é mais verde que a nossa ??

 

 

“Ninguém permanece satisfeito com o que tem, olhando para o que é dos outros, é por isso que nos iramos até contra os deuses, quando alguém nos ultrapassa, esquecidos dos homens que ficam para trás. (...) Queres saber qual é o teu maior vício? Fazes mal as contas: valorizas demasiado o que te oferecem, mas desvalorizas o que tens.”

                                              Seneca in “ Da Ira”

 

 

 

Nesse feriado prolongado fiquei em casa, ora servindo de motorista para duas crianças ora assistindo filmes.

  

Coincidentemente assisti a quatro diferentes estórias, mas com  o mesmo enfoque – a eterna insatisfação humana.

 

Nos filmes que assisti a felicidade estava defronte aos personagens, mas eles sempre a buscavam em outros lugares e outras pessoas.

 

A primeira estória foi no filme “Um Dia” que narra os encontros e desencontros amorosos de dois amigos (uma mulher e um homem) ao longo de uma amizade de 20 anos. Onde numa busca incessante e insatisfeita pela vida, não conseguiam enxergar a existência de um amor maior e verdadeiro entre ambos.

 
 

Já no filme nacional  “Estamos Juntos”, a estória se passa diante do medo de uma jovem médica residente de se entregar a qualquer tipo de envolvimento: seja amizade ou amor. Vive de amores rápidos e amizades superficiais. Passando o filme questionando se o medo de amar torna as pessoas mais egoístas.

 

 

A terceira estória se passou no quadro em reprise do fantástico “A vida como ela é” de Nelson Rodrigues, onde um casal vive um relacionamento conjugal “morno” após 07 anos de casamento e só com a chegada de um casal de vizinhos, que “em tese” possuíam um relacionamento sexual intenso, gerando a inveja e cobiça desse primeiro casal é que os motiva a se redescobrirem e investirem no antigo relacionamento conjugal novamente.

  

E por último e para fechar o final de semana, assisti a comédia argentina “Um namorado para minha esposa” que passou no Corujão da Globo. Que conta a estória de um relacionamento desgastado de um jovem casal, visto a mulher possuir mal humor terrível que acovarda o marido a pedir o divórcio, mas para sanar o problema,  ele  resolve seguir o conselho de um amigo e contrata um outro homem para que a esposa se apaixone e o liberte do infeliz casamento. O hilário é que no decorrer do filme, o marido descobre que ainda amava a mulher e se desespera ao perceber que irá perde-la para outro, que não é o “namorado” escolhido por ele.

 

O ponto convergente nessas quatro “estórias” é a eterna insatisfação do ser humano.

 
Por que estamos sempre procurando padrões e perfeições que não existem em nós e/ou nos outros.

 

 Veja se não é verdade, quando compramos um carro novo, estamos felizes e até orgulhosos com essa aquisição, mas basta parar no primeiro sinaleiro e encostar ao nosso lado outro carro “em tese” mais equipado, para começarmos a olhar o nosso com um “que” de decepcionado.

 
 

Conheço uma pessoa  e digo sempre a ela com amor: “Pare com isso, você esta sendo masoquista”, senão vejamos: ela compra uma roupa e fica a pesquisar  em outras lojas após a compra para ver se fez um bom negócio. Não se satisfaz até achar um lugar aonde encontra uma calça mais barata e bonita. Daí sim fica satisfeita.
 
 
E assim agimos de maneira parecida nos relacionamentos que mantemos, nos empregos que conseguimos, nos carros/casas/Ipads/celulares  e outros objetos transitórios que adquirimos.
 
 
Parece que quando alcançamos algo, isso já serve de trampolim para outros desejos...
 
 
O ponto positivo dessa eterna insatisfação humana é que ela faz o mundo girar, movimentar, pois provoca mudanças ao redor.
 
 
A satisfação ao contrário acalma, limita e amortece.
 
 
O problema é quando essa insatisfação se transforma em círculo vicioso de ansiedade, onde adquirimos e/ou conquistamos algo e logo após estamos olhando a “grama verde do vizinho”.
 
 
 
 

 

A necessidade de “conquistar”, do poder, do dominar nos faz abdicar daquela necessidade de apreciar e manter o que de fato não é transitório em nossas vidas, que são as pessoas que temos ao nosso redor, sejam elas amigas ou amores.

     

Dêem uma olhada no ponto de ônibus, no shopping center, no trabalho, na sua rede de convívio.

 

Ouvimos e vimos poucos relatos de pessoas satisfeitos.

 

Se faz calor reclamamos que é ruim, mas se faz frio é pior.

 

Se estar desempregado é ruim,  ter que trabalhar semanalmente também não é bom. (É só ler as mensagens do Facebook, quando se aproxima sexta feira ou segunda feira ... é cômico.)

 

Se estar casado é enfadonho, estar solteiro é cansativo (tanto que estão sempre em busca de alguém ...)  

 

O tempo passa e isso se torna crônico na vida das pessoas.

 

Reclamar, reclamar, reclamar ...

 

Insatisfação, insatisfação ...

 

O poema de Millor Fernandes ilustra esse sentimento contínuo.

 

“ O que me dói

É que quando está tudo acabado

Pronto pronto

Não há nada acabado

Nem pronto pronto

Pintou-me a casa toda

Esta tudo limpo

O armário fechado

A roupa arrumada

Tudo belo, perfeito

E no mesmo instante

Em que aperfeiçoamos a perfeição

Uma lasca diminuta, tênue, microscópica

Não sei de onde

Está começando

Na pintura da casa

E as traças não sei onde

Estão batendo asas

E a poeira, em geral, está caindo invisível,

E a ferrugem está comendo não sei o que

E não há jeito de parar ...”

 

 

Tive uma experiência curiosa quando num domingo qualquer (nessa terra quente chamada Cuiabá) passeava no shopping (usufruindo do ar condicionado) e encontrei com 03 amigos-conhecidos.

 

Desses três encontros casuais, dois reclamaram do calor, emprego e governo e apenas um relatou a alegria que estava com o crescimento do filho.    

 

A sensação de leveza e bem estar oriunda da conversa com o amigo-satisfeito, me fez refletir em dialética (comparando)   acerca no peso e mal estar advinda da conversa com os outros dois.

 

Almejar eterna satisfação é viver insatisfeito, pois ela não existe de forma perpetua.
 
O que não nos impossibilita de cultiva-la nos breves e singelos momentos da vida -  que nos acalma e amortece das "cobranças e anseios diários".

 

Procurar a satisfação/felicidade  sem sofreguidão e nem requisitos/padrões estabelecidos nos pequenos momentos que vivenciamos no dia a dia é que  tornam as nossas lembranças duradouras.

 

Assim retorno ao início deste post, quando comecei escrevendo  que passei o feriado prolongado, ora servindo de motorista para meus filhos ora assistindo filmes.
 
O "tom ou sentido" parecia insatisfeito e tedioso, não é?

 

Todavia, afirmo que tirando o cansaço físico, vivi com meus filhos e marido momentos de bate-papo sério e de brincadeiras gostosas dentro do carro, sendo “Bons momentos” armazenados na memória de minha vivência e que poderão  ser apreciados e lembrados quando Túlio e Tiago estiverem adultos e não precisarem mais desta “motorista” para leva-los e busca-los em suas festas e encontros.

 

Vou buscar viver como Sêneca relata abaixo, agradecendo que tenho ...

    

“ O homem é tão mesquinho que, mesmo tendo recebido muito, considera-se injuriado se pudesse ter recebido mais... (...) Sobretudo, agradece aquilo que recebeste; aguarde pelo restante e alegra-te por não estares ainda satisfeito: é um prazer haver algo por que esperar...”

                                                                     Seneca in “Da Ira.”

 

 

 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Aceitando meus limites ...



“ Faz falta para ti conhecer teus limites. Se não os conheces, corres dentro das barreiras artificiais de tua imaginação e da expectativa de teus semelhantes. Mas tua vida suporta mal ser contida por barreiras artificiais. A vida quer saltar por sobre essas barreiras e tu te tornas desunido contigo mesmo. Essas barreiras não são teus verdadeiros limites, mas são limitação arbitrária que te impõe uma violência inútil. Procura então encontrar teus verdadeiros limites. Nós não os conhecemos de antemão, mas só os vemos e compreendemos quando nós os alcançamos. Mas isto também só te acontece quando tu tens equilíbrio. Sem equilíbrio, cais por cima e para fora de teus limites, sem perceber o que te acontece”
                                      C.G. Jung – O livro vermelho

 

 

 

Comecei a trabalhar aos 20 anos de idade e o meu primeiro emprego foi como professora de inglês no CCAA (Centro de Cultura Anglo Americano).

 

Ao mesmo tempo iniciei minha faculdade de Direito.

 

A vida corria solta num ritmo acelerado, trabalhava pela manhã e a tarde e estudava na UFMT a noite.

 

Depois desse início nunca mais parei de trabalhar e já perfazem 24 anos de trabalho com apenas 04 paradas estruturais.

 

As duas primeiras relativas ao período pós-parto (04 meses de licença-maternidade) e duas últimas paradas para tratamento do câncer.

 

Após o primeiro diagnóstico de câncer e de toda as complicações pós cirurgia, incluindo a experiência de passar 44 dias incomunicáveis (traqueostomia) na UTI e sair do hospital numa cadeira de rodas, logo que pude, retornei a ativa (dois meses depois).

 

Hoje raciocíno que essa pressa em retornar está ligada a vontade de demonstrar aos outros e especialmente a mim que havia superado o câncer.

 
Não refleti sobre as razões, consequências e os “porquês” da doença em si.

 

E isso é soberba e/ou ingenuidade !!!!
 
 
Consequência do retorno precoce ...  levei chumbo !!!

 
Após 06 meses de retorno à delegacia de polícia, o sistema imunológico não suportou o “stress” e tive pneumonias consecutivas.

 
A solução médica indicada foi me encaminhar para readaptação de função, ou seja, realizaria minha função em outro setor da instituição que não exigisse fisicamente além dos meus limites.

  

Confesso que fiquei consternada durante todo esse período (05 anos) e ficava num jogo masoquista a imaginar sobre o pensavam os demais colegas de profissão quanto a minha readaptação de função.

 

Na verdade, o problema não era o que eles pensavam, mas o que eu pensava de mim, pois me sentia menos “delegada” do que outros.


 
Nessa batalha interna, procurei num momento de crise uma psicóloga, pois  sentia a necessidade de voltar para a delegacia a todo custo.

 

Não “aceitava” emocionalmente minhas restrições de saúde.

 

A psicóloga me informou que era comum esse sentimento e que inúmeras pessoas que estavam se readaptando em novoas funções passavam pelas mesmas dúvidas e conflitos que eu estava vivenciando.

 

Ufa, então  não era só eu !!! E isso me acalmou.

 

Todavia, lá no fundo de minha consciência, ainda pairava qual “zepelin” no ar, o duelo (preconceito) entre servidor que trabalha na área fim e o que trabalha no administrativo, tido como aquele que tem vida profissional mais fácil, folgada, privilegiada, “peixe”.

 

E “euzinha” não queria receber essa faixa.
 
Tornei-me "vítima" (provisoriamente) do meu próprio preconceito.

 
É lógico que aprendi  várias lições, a primeira que se despiu em minha frente foi a de que quem trabalha no administrativo tem vida mansa ...
 
 
Inverdade !!!
 
Participei de inumeras comissões e trabalhos e nunca houve tempo para gazetear, contudo, quando tive a oportunidade de assumir uma função específica, a ela me entreguei de corpo e alma.

 
E quase que ela me levou para outra dimensão, pois incidi nos mesmos erros.
 
 
E a razão é óbvia, eu não havia "trabalhado" mentalmente com as dificuldades anteriores, como a de saber impor limites e a de querer agradar a todos.

 

E assim parei de cuidar de mim.

 

Alimentava-me mal e descansava menos ainda.

 

É lógico que a responsabilidade não era da função que exercia, mas em como eu a exercia e a deixava me dominar !!!!!

 

Resultado dessa cadeia louca de acontecimentos ...
 
Recidiva de câncer gástrico.

 

 Cacetada ...

 

Tudo de novo só que agora multiplicado por 10.

 

Reprise do medo da morte iminente, da orfandade dos meus filhos ...

 

Enfim, o tratamento encerrou em julho e agora estou a colocar os pensamentos no lugar novamente, para me sentir forte emocional e fisicamente para o retorno a vida comum.

 

E eis que a vida me prega uma peça e me faz levar um escorregão emocional novamente.
 
 
Indagada num encontro casual com um colega que questionou quanto ao meu retorno, senti em sua voz um tom de crítica/julgamento que me fez sentir culpada (por estar de licença médica).
 
Fiquei em posição de defensiva, tentando justificar a razão de estar em licença médica.
 
Sou rotineiramente indagada por amigos quanto ao meu retorno ao serviço, contudo, esse teve um "sinal" diferencial, captado através do  tom e expressão facial - era de crítica.
 
Se fosse "um qualquer" vá lá .... fazer o que né? Mas esse me deixou desapontada e triste por não esperar esse tratamento por parte de alguém tão querido.
 
 
Acho que estou afastada do mundo real e superprotegida por um muro de “amor e cuidado”, quase cor-de-rosa desde o diagnóstico.
 
Havia esquecido de me por "em guarda" para vivenciar a dureza das pessoas e assim abri espaço para sentir suas alfinetadas !!!!!

 

E doeu ...
 
Me fez ter sensações desagradáveis.
 
Tive até insônia...

 
Por dois dias, não conseguia identificar a razão do mal estar.

 
Até que ontem, num “insight” consegui vislumbrar o cerne da questão e o que me deixou incomodada naquela pergunta - identifiquei aquela “velha” vontade de querer agradar a todos.

 

Passado o “drama” – rsrsrsrsrs, percebo a necessidade de trabalhar internamente essa atitude teimosa de querer agradar a todos, de não saber impor limites, de “exigir” muito de mim, de querer ser sempre boazinha ...

 

Preciso melhorar a autoestima e o amor próprio para que o ciclo vicioso não retorne e tome conta de minha vida.

    

Nesse atual momento, não desejo estar em posição de defesa (alerta) para o mundo real, é uma energia que não desejo elaborar agora.

 

Quero apreciar, mergulhar, agregar, aprender, somar e não subtrair e defender.

 
Como no texto de C.G. Jung acima transcrito - preciso primeiro  me conhecer para poder me equilibrar.

E estou alegre e calmamente recrutando partes de mim. 

Claramente sinto que ainda não estou pronta para voltar.