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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Desemaranhando minhas teias ...




"Quero um dia poder dizer às pessoas que nada foi em vão, que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades, às pessoas .
Que a vida é bela sim e que eu sempre dei o melhor de mim ... e que valeu a pena !!!"

 Mário Quintana



Leitura para mim é sinônimo de prazer.

Me entranho nas "estórias" e me desligo do redor ..

Quando leio, me perco prazeirosamente no emaranhado da composição dos personagens e dos fatos que rondam cada um. Que tal como teia ... e vida da gente ... se entrelaçam. 

Gosto de pessoas...

Assim quando viajo em férias, além dos pontos turísticos importantes, gosto de observar as pessoas, os costumes locais, o "modo" de pensar da gente local ... Ainda que de longe, timidamente, pois assim sou eu ...

Descobri que estando em férias, o tempo não se faz de intrometido e fica a me dizer prazos.
Não corro sem enxergar o caminho...
E nem deixo de apreciar a paisagem ...

Especialmente a humana ...

Observo, muitas vezes, no olhar dos transeuntes, análogas urgências e porquês que trago comigo ...

Mas só consigo enxergar, quando elevo os olhos sobre a paisagem ...

Um buscar ...

Agora, estou a desvendar um  novo prazer: Escrever ...

E escrever ao contrário de ler é se expor, se desnudar, se desmistificar ...

É sair do anonimato, é "assumir" o timão do meu navio, da minha história, dos meus personagens, das minhas teias ...

Daí, amigos, busco nesses posts dizer que a vida é simples e a complexidade que às vezes nos atingem advém de nossa própria irresignação com ela.

Não vamos correr do embate, ainda que a batalha pareça hercúlea, devemos seguir, enfrentar nossos medos ... em frente...


PS1: Agradeço aos inúmeros incentivos que venho recebendo desde que postei as primeiras "histórias" aqui compartilhada com vocês ... Me servem de motivação, empenho e inspiração ...


PS2: Decidi transcrever inteiro o poema "Certezas" de Mário Quintana, que fala das coisas simples da vida. É lindo e soberano:
                                         

                                                               " CERTEZAS" 

"Não quero alguém que morra de amor por mim...
Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.
Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.
Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim...
Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível...
E que esse momento será inesquecível...
Só quero que meu sentimento seja valorizado.
Quero sempre ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre...
E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.
Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém... e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos.
Que faço falta quando não estou por perto.
Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho...
Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que relamente importa, que é meu sentimento... e não brinque com ele. E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.
Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe...
Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.
Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos, talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.
Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas...
Que a esperança nunca me pareça um "não" que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo com o sim.
Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim, sem ter de me preocupar com terceiros...
Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.
Quero um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão. Que o  amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim... e que valeu a pena.     

Mário Quintana










segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Aprendendo com as crianças ...








Outro dia, estava deitada em minha cama, assistindo TV, na companhia de meus dois filhos - Túlio (11 anos) e Tiago 09 anos), quando calmamente Túlio indaga:

" - Mãe, nós vamos pra Barilhoche em Julho?"

Prendo a respiração ...

E antes de "encontrar" uma resposta, logo vem Tiago:

 "- É mãe, você disse que ia nos mostrar a neve!"

Relaxo ... Solto o ar devagarzinho ...

Olho pra ambos, que estão aguardando ansiosos pela resposta e digo:

"- Picachus (assim eu os chamo carinhosamente)
 " - Lembram-se das adequações que falei que seriam necessárias para passar nesse período do tratamento da mamãe" .

Ambos meneiam a cabeça, se recordando do Dia da "Conversa".

Continuo dizendo:

-" Então, acho que pra Julho não vai dar, talvez outra época"...

Prendo a respiração novamente ...

Desta feita, com medo de indagações que não estava ainda apta para responder, do tipo:

Quando então viajaremos novamente,  mamãe? Por que isso está acontecendo? Você vai morrer? Nossa vida vai mudar? Você estará aqui na minha formatura? E quanto ao meu casamento? Abraçara seus netos? ....

Mas não ...

Sabiamente, como só a vida é, ambos olham para mim e sorriram satisfeitos com a resposta ...

Viraram os rostos para a televisão e tudo continuou igual. (pra eles, é claro ..rsrsrs)

Nenhuma outra pergunta, nenhuma outra dúvida ...

Entendi então, que tudo isso está fundado na ABSOLUTA e MARAVILHOSA capacidade INFANTIL de acreditar na Simplicidade da vida e na Confiança no Futuro.

Mais uma lição dos meus "picachus ..."

Vai aqui, uns versos de Fernando Pessoa, que fala sobre Caeiros, homem simples, quase infantil ...

"Eu não tenho filosofia: tenho sentimentos ...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é.
Mas porque a amo, e amo-a por isso.
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem por que ama, nem o que é o amor.
Só que ama ..."















sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Reminiscências ...


 

                                 


  • De acordo com dicionário da Língua Portuguesa -  Reminiscência é:

1- Do latim reminiscentia - recordação
2- Recordação que se guarda de modo inconsciente
3- Capacidade de guardar e reconstituir idéias, conhecimentos, impressões adquiridos anteriormente, memória.
4- Na Filosofia, a teoria da reminiscência é forma mítica do racionalismo, em Platão (filósofo grego, 428-348 a.C.), segundo a qual todo o poder de conhecer a verdade é a recordação de um estado antigo em que, vivendo com os deuses, se possuía uma visão directa e imediata das idéias. 



Em assim sendo, vamos lá ...

Como foi dito no primeiro posto deste blog "Recidiva" - tive câncer de estômago em 2005, que à época foi perfeitamente ressecável. Entre o diagnóstico e a operação foram 33 dias.

 
Complicações adviram da cirurgia de retirada total do estômago e baço, como a intercorrência de fístula que levou líquido para meus pulmões, contaminnado-os com pus e quase me levou a óbito, tendo sido necessário nova cirurgia, desta feita para limpar os pulmões ... posteriormente embolias ...

 
Superação...
Enfim, restou-me passar um total de 44 dias na UTI - dos quais 15 dias inconsciente e após os 44 dias, fiquei 30 dias no quarto de regime de semi-UTI no Hospital São Mateus. 

 
Vida nova ...

 
Reaprender a andar, pois o corpo inerte na cama do hospital, deforma-se pela falta de uso dos músculos e a ausência dessa tonicidade não sustentava mais as minhas pernas ...
Reaprender a comer, agora não havia mais o receptáculo do estômago, para receber a quantidade de comida, tive que aprender a quantificar o quanto conseguiria ingerir sem vomitar ... (Até hoje erro, pois a gula é grande, rsrs)
Próximo passo, sair da UTI e hospital e entender as limitações e respeita-las como regras para bem viver.
Passado superado ...

Estava feliz, emagreci 47 kilos ... 
 
Auto estima renovada, conseguia cruzar as pernas, comecei a usar roupas com formas, mas principalmente tinha energia para brincar com meus meninos.
   
Impossível não colher ensinamento das experiências da vida: a quase morte, a depedência total de outras pessoas, deixo ser a pessoa "Carla", cidadã brasileira, casada, mãe de Túlio e Tiago, Delegada de Polícia, flamenguista e passo a ser  " a paciente Carla"

 
Olhar ... Divagar ... Pensar ... Escrever ...

 
Da outra epóca - 2005, eu não publiquei em blog meus pensamentos, apenas escrevia-os e guardava-os, num arquivo em meu computador.

 
Desde que comecei a escrever aqui, refleti que seria plausível expor a vocês também esse momento anterior.  

 
Assim decido me expor ...
Vamos lá ...
Tô aqui pra isso mesmo...

 
Agora, meus amigos, aguentem ... (rsrsrsrsrs ...)

 
A diferença é que eu só conseguia escrever em verso e/ou prosa. ( Loucura, né? )

 
Escolhi apenas algumas que abaixo transcrevo, as três primeiras retiradas da minha experiência enquanto paciente da UTI - do despertar da cirurgia, às visitas e rotinas ... 

 

 
AONDE ESTOU?

 
Desconheço a data exata, somente sei o momento.
Abri os olhos e descobri que estava há 15 dias dormindo insconsciente, totalmente sedada..
O que havia acontecido comigo? Por que daqueles tubos? Aonde estou? E os meus filhos? E os meus pais? Antonio, cadê você?
Apago novamente.
Não sei quando estou sonhando ou quando é realidade.
Tudo parece assustadoramente real!!
Por que iso foi acontecer comigo? Logo eu? O que VOCÊ quer?
Silêncio! Silêncio! Silêncio!
Apenas o barulho dos aparelhos funcionando.
Bip ...Bip ... Bip...
Será que vou morrer?
Apago novamente.
Por que as enfermeiras me viram? Por que fazem curativos nas minhas costas, se a operação foi no abdomên?!!!!
Estou tão fraca.
Quero perguntar, mas tem algo em minha garganta. O que é isso?
Pai!! Mãe!!! Me tirem daqui!!!
Durmo.
Já tem alguns rostos que me são familiar.
Aquela enfermeira é a que tem problemas com a irmã, o outra está com muitas dívidas, aquele está insatisfeito com o hospital ...
Enquanto me limpam da sujeira corpórea, vomitam seus problemas sobre mim.
Bip ... Bip ... Bip ...
Que horas são? É noite? Está chovendo? Que dia é hoje? Quem é você?
Luz que não se apaga ..  
Desliguem-a, por Deus !!!
Preciso ter calma.
Estou tão só.
O desepero me destabiliza.
Quero rezar, mas não consigo.
Tal qual criança birrenta, estou chateada com Ele ..,
E preciso Dele deseperadamente...
Até quando vou suportar???
Por que eu ???

 

 
VISITAS !!!!

 
Hora de Visitas !!!
Momento esperado.
Suporto até o "banho de gato" frio, pois sei que após terei como brinde: visitas...
Aguardo com ansiedade e sofreguidão, um misto de sensações...
Quanta felicidade!!!
Rostos conhecidos, feições familiares, histórias em comum.
Não estou só...
Mãe, Pai, Marido, Irmãos, Tios ...
Quero lhes falar, mas não consigo.
Tem um cano em minha boca !!!
Quero lhes dizer que estou bem, que estou com saudades, que é tão bom vê-los, que tenho tanto medo...
Não consigo.
Tem um cano em minha boca - traqueostomia.
Me apontam um papel e uma caneta.
Tento escrever, mas sai ilegível.
Os sedativos me impedem.
Dane-se...
Estou feliz com a presença de vocês.
Cadê meus filhos? Estão bem? Por que não veem me visitar? Entendem minha ausência? Se lembram de mim?
Tolices ou não
Quero vê-los.
Quanta saudade!!!
Fim da visita.
Despedidas.
Pensamentos soturnos
Estarei viva até a próxima ...
Quero sair !!!!
Me tirem daqui !!! 

 

 
ROTINA

 
Estou consciente..
Identifico a rotina da UTI
Solidão, "banho de gato", remédios, visitas, remédios, remédios, remédios, solidão, solidão...
Quero escovar os dentes..
Os dentessss .... pelo amor de Deus!!!
Ninguém me entende.
Tirem esse gosto amargo  da minha boca!!!

 
Tentando interagir com o ambiente
Como forma de sobreviver
E encontrar na rotina, um caminho para plainar.
Já começo a gostar dos desabafos entre as enfermeiras durante o meu banho e curativo.
São como novelas - problemas com marido, filhos, emprego, dinheiro ...
Cada dia tem um capítulo difierente.
Com os mesmos personagens
Para manter-me antenada, participo mentalmente de maneira ativa.
Dou opiniões, faço ponderações...
Estou de volta ao mundo real
Tem até cenas dos próximos capítulos.
Quando encerram a conversa longe de mim.
A curiosidade me toma, pois fico sem saber do fim.
Será que estou ficando louca.
até aqui quero resolver o problema de outros...


No intuito de entender bem presente, preciso escancarar meu passado
E assim encerro o post de hoje... 
  
  

 
  

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

"Os olhos são o espelho da alma. "






"Ao se aceitar o prazer sem suplicar por ele e sem se tornar dependente, e ao se aceitar o sofrimento, quando inevitável, sem teme-lo e sem se rebelar contra ele, consegue-se aprender muito mais tanto com o prazer como com o sofrimento, é tornar possivel  "destilar a essência" que eles contêm". Frase colhida do texto de "Roberto Assagliodi"
Pensando sobre o que escrever no blog de hoje, encontrei num texto de internet a frase acima e que veio a espelhar examente o que vivenciei no período da tarde hoje. 

Estou meio que enclausurada desde o dia 27 de janeiro quando passei pela cirurgia da "retirada da vesícula" (que ao final não foi retirada).

Afastei-me do convívio direto das pessoas (por motivo de resguardo) e estou ligada especialmente a família e familiares.

É lógico que nesse momento inicial da batalha, devo me fortalecer, me reestruturar e para isso tenho que estar próxima a aqueles que me amam incondicionalmente, agindo como uma espécie de instinto de proteção. Sabe aquele: "estar junto dos seus..."

Enfim, a pior tempestade já passou ... Aquela nuvem de areia imensa, densa e aterrorizante, que me impedia  de enxergar e respirar o horizonte limpo passou... (Penso eu ...).

Existem outras ainda, por vir ...

Mas... Agora, cabe-me, passada a tempestade, juntar os cacos, limpar os quartos, arejar a janela, preparar a comida (no meu caso e para quem me conhece, "encomendar a comida", já que sou uma negação na cozinha) e esperar o encontro.

Encontro esse que pode ser comigo mesmo, com meus amigos, meus conhecidos e desconhecidos. 

A vida continua ...

Não pertenço ao mundo dos mortos-vivos, não sou zumbi ... 

Afastar-me dos problemas do cotidiano, da realidade crua, das pessoas e  do mundo pulsante que me rodeia, não me protege, ao contrário, me afasta do real "que é a vida por si só ..."

Viver significa experimentar, sentir, cheirar, errar, divertir-se, ter medo, fofocar, fazer amor, dar amor, receber amor ...

Sem imaginar que fosse me abater, hoje a tarde, sai do meu clausuro protetor e me desloquei até um local público, onde encontrei diversas pessoas que tinham conhecimento da recidiva.

Inicialmente, me senti acuada, não sabendo como lidar com os olhares ...

Ah, meus amigos ... Os olhares trasmitiam tantas coisas ...

Pena ... Dor.. Tristeza ... Simpatia ... Admiração... Solidariedade ...

Um "tudo" ao mesmo tempo.

Fiquei insegura, tristonha, me senti frágil, querendo colo.

Depois, já em casa e ouvindo minhas músicas favoritas no MP3 (fato que não faço a não sei quanto tempo), analisei a sensação sentida e percebi que a verdade básica é que tudo depende das minhas atitutudes e determinções.

As pessoas que trasmitiram essas sensações são pessoas verdadeiras, que não se escondiam em personagens, possuiam olhos que espelhavam a dor da alma.

A doença, a mortalidade, o impoderável, o incontrolavel  afeta todos que nos rodeiam.

Nós enxergamos no outro nossas semelhanças e diferenças - aquilo que nos intriga e nos deixa irritado, muitas vezes é o nosso maior defeito.

Assim, entendi que a doença que me aflige, lembra a todos que somos mortais ... E que isso, sem sombra de dúvida, mexe com o "psique" de todos

Imagino como será quando cair o cabelo ... Dai-me força ... (rsrsrsrs ...)

Sou a "senhora do meu destino", pertenço ao mundo, e para isso não devo temê-lo, mas tenho que aprender a cultivar minha força interior e me manter firme nos própositos e metas para minha recuperação.

Ninguém pode ser responsável pela minha sensação de insegurança, pois a Força esta comigo ...

Devo aceitar que nem sempre conseguirei mudar as condições do mundo exterior, mas posso mudar as condições do meu mundo interior. 

A essência disso tudo, esta bem aqui, no meu coração, no meu cérebro e especialmente em minha alma.

E somente eu, devo destilá-la.



     









quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Vamos ser companheiros de chuva?



"Solidariedade é a certeza da presença de alguem tomando chuva com você, ainda que nada ganhe com isso, só para fazer, pela conversa, o sangue correr, continuar circulando e prolongando sua resistência. Solidário é companheiro de chuva." blog Sergio Freire


Esse texto será curtinho. Só um pontual e necessário agradecimento por todo amor e solidaridade que venho recebendo nos últimos dias.

Vamos lá ...

Hoje meu paladar sumiu ... Tudo tem gosto de salmoura ... Dá vontade de comer só alimentos doces e frios ...

Os enjoos estão controlados  mediante a acupuntura realizada todos os dias por meu irmão caçula (médico), aliado aos remédios anti eméticos.

Recebo diariamente mensagens de e-mails, torpedos, rede social e até a tradicional ligação para telefone fixo,  de pessoas queridas que ofertam as mais variadas idéias para o meu bem estar, indo  do menu ( suco, chá, sopa... ) até as correntes de orações que estão sendo realizadas, que independente do credo que professam,  levam todas a DEUS.

Assim, venho nos últimos dias, sendo agraciada ao receber muito amor e solidariedade, vindo das mais diversass fontes de bem-querer.

E todos imbuídos em uma missão maior, que é de oferecer o mais legítimo e puro de todos os amores: a solidariedade, que nada pede em troca, é só o querer bem de alguém.

Que Deus os abençoe ...










Todos nós somos "Caius" ...


"Morremos como mortais que somos e vivemos como se fôramos imortais."
Sêneca


Em 2005 quando tive o 1º diagnóstico de câncer, procurei após a cirurgia de ressecção do tumor, o auxílio de uma profissional em psicologia. Naquela época, eu estava confusa, insegura quanto aos novos sentimentos, antes não identificado em minha vida comum.

Expliquei a psicóloga (Dra. Elione) que estava angustiada pois não conseguia fazer planos para o futuro ... e vez ou outra me pegava boicotando momentos prazeiros com pensamentos funestos do tipo:

1-  Nas apresentações escolares dos meus filhos, boicotava o momento, quando me indagava repentinamente se eu teria a possibilidade de participar de idêntico evento no futuro, quando os mesmos fossem adolescentes, estava incerta de estar aqui com meus filhos até esse período de vida.
2- Será que estarei aqui no natal?
2-  Não fazia planos prolongados e nem comprava nada com a obrigação de pagar por mais de 3 prestações.


A psicóloga então falou-me sobre o mito da imortalidade, ou seja, embora todos nós seres humanos saibamos que iremos morrer um dia, conhecemos a morte mediante o processo de morrer dos outros.

Mais tarde, lendo o livro Anticancer, de autoria de David  Servan-Schreiber, médico francês que foi diagnosticado com cancer no cérebro e  prazo de vida de 06 meses (que ele conseguiu prorrogar por 19 anos, vindo a falecer no ano passado), novamente leio acerta do mito da imortalidade, onde David Servan-Schereiber narra uma parte do romance de Tolstoi  chamado  "A morte de Ivan Ilitch", que tece acerca da incredulidade de ser humano diante da possibilidade de própria morte, o qual trascrevo abaixo:.

"Ivan Ilicht é magistrado em  São Petersburgo e leva a vida bem regrada até o dia em que cai doente. Escondem-lhe a gravidade de seu estado, mas ele termina se dando conta de que está prestes a morrer. Nesse instante, todo seu ser se revolta contra essa idéia ... Impossível." 
"No funda de sua alma, ele sabia que estava prestes a morrer, mas não apenas não conseguia se habituar a ideia, como não podia apreende-la. No exemplo de silogismo que tinha aprendido no manual de lógica de Kieswetter, Ivan tinha lido: "Caius é um homem, os homens são mortaris, portanto Caius é mortal".  O raciocionio parecer exato se se trasse de Caius, mas não de sua própria pessoa. Que Caius um homem no sentido geral da palavra fosse mortal era perfeitamente normal. Mas ele (Ivan Ilicht) não era Caius, ele não era um homem no sentido geral ... Não é possível que eu tenha que morrer. Seria pavoroso demais..."

A vida nos parece infinita ... E em nome dessa infinitude adiamos sonhos, realizações, propostas de mudança de postura e conduta ... Deixando para o amanhã ...
Daí, algo vem de encontro com nossa expectativa de imortalidade,  como o diagnostico de alguma doença potencialmente fatal ou ter vivenciado situação de violência urbana - assalto ... e  BUMMMMMMMM .....
Descobrimos que a vida é frágil e que nós tal como "Caius..." de Ivan Ilicht, somos mortais, efêmeros, passageiros...

Junto a essa sensação de perda da imortalidade, advém outras, como:

- A perda da identidade social:  nós deixamos de ter o controle sobre nossa vida, quem sou ? o que faço?
- A perda da autonomia:  nossos horários ficam limitados a medicação e o tempo passa a ser medido pelo horário do remédio e do tratamento.
- A perda do papel de provedor: subitamente você passa a ser assistido ... Dependendo de outros ...

De outra banda - eu sempre acredito na existência de outra banda (outra perspectiva), o evento da vida em ameaça, tambem possibilita diversa postura, desta vez positiva:

A vida adquire outra urgências ...
Ficamos mais conectados com o mundo e em especial com as pessoas que nos cercam ...
Saboreamos mais a vida ...
Intensidade de sensações...

Acredito que retornamos às primeiras experiências da infância, quando as supresas e magia da vida, estavam no vôo de uma borboleta, no banho de mangueira, no jogo de pique-esconde, no viver o momento ...

O Buummmm de um diagnóstico de doença séria, nos retira do estágio quase letárgico do "deixa pra amanhã que eu arrumo ..." Para esfera do REALIZAR AGORA...

Acredito que ficamos melhor .. e eu, meus amigos, estou apaixonadamente "louca pra viver" ...

"Carpe diem a todos" ...

"Façamos algo realmente grande e que marque o mundo, assim  nós descobriremos a fórmula da imortalidde. Porque nada adianta viver, se você nada mudou" Autor anônimo


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Bom dia, eu sou Teresa Fernandes, seja bem vinda...




" A descoberta do poder do átomo mudou tudo, exceto a nossa maneira de pensar ... A solução para este problema repousa no coração da humanidade"  Albert Eistein.



Ontem fiz minha primeira sessão de quimioterapia. Estava muito apreensiva, pois desconhecia na prática os efeitos dela, em que pese já ter lido quase um compêndio na internet e conversado com algumas pessoas que já passaram por isso.

Então, chegando na Nutec (local em que estou fazendo o tratamento) fiquei na sala de espera com minha mãe e meu marido, aguardando ser chamada. Não conseguia ler revistas, nem assistir a TV, confesso que a vontade que se sobrepunha era de sair correndo, mas aí, vinha a voz interior que dizia que era tempo de enfrentar a situação.

 Como sou "obediente" decidi ficar, até porque não havia outra saída.

Logo, uma senhora simpática se apresentou, chamando-se Teresa Fernandes e me levou até a sala equipada para os pacientes receberem a quimio.

Pois bem, a atitude positiva dessa senhora - técnica em enfermagem - fez a diferença durante essa primeira sessão de quimio. De linguajar simples, bem cuiabana ... Ela foi amorosamente (sem me conhecer ainda) discorrendo acerca dos procedimentos e possiveis efeitos dos medicamentos. O diferencial é que não ficou só nisso não, foi além ... saiu do técnico e impessoal e tocou meu coração ao dizer: "Isso aqui é passageiro", "você é filha de Deus perfeita" ... "Levante a cabeça e não desista" ...

Acostumada com a impessoalidade e as vezes até frieza sentida inúmeras vezes quando na sala de espera de consultórios médicos, aquela atitude HUMANA afastou meu medo e me deixou tranquila e apta para receber com a alma livre todo aquele medicamento pesado que irá me curar.

Confirmei assim, que as atitudes e os pensamentos positivos tem efeito revigorante e atingem as pessoas ao nosso redor, portanto fomentar pensamentos saudáveis, possuir imagem agradável, não só nos influencia intrinsicamente, como atinge a todos que nos cercam (casa, trabalho, diversão).  

Às vezes divagamos em como poderíamos buscar atitudes positivas, mas penso que a resposta é bem mais simples, pois podemos adotar ações positivas nas pequenas coisas do dia a dia, não precisamos ir longe para realizar essas ações positivas, sinto que quando brinco com meus filhos, quando converso "fiado" com meus amigos, quando escuto (com ouvidos de quem quer ouvir) um colega, estou fazendo a roda da positividade girar.

Observem que nos dias de hoje, desde o momento em que lemos as notícias do jornal ou ligamos a TV somos bombardeados de informações negativas, que começam a minar nossa vontade de ter um dia positivo.

Vamos fazer um exercício hoje, vamos contar quantas informações negativas  nós escutamos nos Jornais falados e escritos e quantas informações positivas ...

A mídia faz o papel dela, que é informar o que ocorre no mundo, mas será que é só noticia ruim que ocorre no mundo ou é a noticia ruim a que vende mais?  E se for a notícia negativa que vende mais ou é a mais acessada pela população, não há um toque de morbinez de nós seres humanos.

Não estou dizendo que devemos ficar fora do contexto informativo mundial e nem que devemos viver num mundo cor-de-rosa afastado (escondido) da realidade que nos cerca, pois é nessa dialética - do positivo e do negativo que enriquecemos as nossas vidas.

Contudo enxergar somente o negativo ou somente o positivo também não é atitude saudável, temos que estabelecer prazo limite para isso e quando alcançarmos esse limite, dizer em alto e bom som "Chega por hoje..". 

PS: Começaram alguns efeitos da quimio, como dor de cabeça e nausea, mas estou bem ... Logo passa, como diria  Teresa Fernandes" !!!